domingo, 10 de julho de 2016

Sobre ser normal.

  Essa semana marquei de sair para conversar com minha melhor amiga, que "recentemente" ficou solteira e tá começando a levantar voo sozinha, pra saber dos causos dela e da vida.
  Papo vai, papo vem. Começamos a conversar sobre bullying e auto estima. E cara, que louco...
  Eu sempre estive acima do peso desde que nasci, sempre sofri bullying, mas nunca me importei porque nunca achei errado ser gordinha, meus pais não me mostraram que aquilo era ruim, o que importava era eu estar saudável, eu ser ativa, e ser feliz.
  As coisas começaram a ficar complicadas aos 13/14 anos, a famigerada adolescência. Mudei de colégio, os hormônios em ebulição e meu coração bombando de amores pelos "meninos populares". Porém, como sabemos, essa raça só se mistura com a raça das "meninas populares". Com populares eu quero dizer aqueles de cabelo liso ou alisado, que se vestiam com roupas de marca, que tinham coisas legais, da moda, e que eram magros.
  Quédizê... euzinha, com meus 70 kg, meu 1,50m, com as cagadas que eu fazia no cabelo e meu estilo totalmente "foda-se todo mundo" criado durante a infância, levei uma porrada de regras pré estabelecidas por um grupo social adolescente pré-pronto. Tentei fazer várias paradas idiotas pra me sentir fazendo parte, das mais leves foi mudar minha forma de vestir com roupas péssimas ( E CARAS!), mas estavam na moda e todo mundo usava. Claramente, não adiantou.
  Agora, corta pra minha amiga. A conheci nesse colégio, alguns anos depois. Ela sempre foi de lá. E desde o jardim de infância sofreu com bullying. Não vou detalhá-los aqui porque não acho nem bom reviver as situações. Essa minha amiga é loira, tem olhos verdes e samba na cara das inimigas e na minha com seu 1,67 e o corpo normal, Que dizê, serviria facilmente pra raça das populares, porém pelo seu jeito sempre foi recriminada. Já fez loucuras pra estar mais magra, e mesmo hoje estando bem mais esclarecida, ainda se cobra por isso. Dentro de casa ao mesmo tempo que a convencem de usar roupas que mostram o corpo, a recriminam se come demais, de menos, se engordou.
  Passamos por tudo isso, com sequelas, mas sobrevivemos, assim como várias meninas e meninos passaram, ainda passam e vão passar. Mas ficamos estarrecidas com a forma que somos pressionadas de todos os lados, não somente a um padrão, mas a opinião do que é melhor pra cada um sobre uma pessoa. Eu nunca fui pressionada em casa, mas levei pancada no colégio. Ela em casa e no colégio. Como se consegue ter um auto estima em uma sociedade que quer lhe impor que tenha auto estima mas se seu corpo não corresponder a um padrão você não é completamente aceito?
  Ambas já fizemos terapia, eu ainda faço. E provavelmente muito irão fazer ainda. E quem fez sabe que quem se liberta é você mesmo. Mas não quero que você precise disso pra se ver como alguém normal, e digno das coisas que deseja mas alguém te diz que não.
  Estou longe de ter uma auto estima elevada, mas hoje eu consigo me olhar no espelho e não querer mudar nada por ninguém. E se algum dia eu mudar vai ser por mim.
  Hoje, agora, vai lá, se dê um tempinho, olhe cada pedaçinho seu, tente ver seus pontos positivos. As mãos, os pés, os olhos, o cabelo, a boca, o nariz, um sorriso, a facilidade de conversar, se sabe contar piadas, ser amigo... o que for! Você é bom do jeito que é, só precisa começar a perceber.

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