domingo, 20 de novembro de 2016

Insone

Me encontro absolutamente instável.
Troco o dia pela noite, e me arrependo quando acordo tarde e vejo que o dia passou. Mas, que dia?
A noite me acompanha, me instiga e me acalma. Nela tenho minhas melhores e piores ideias, os melhores e os piores sentimentos, nela me confundo e nela me esclareço.
Acordo em outro dia e agradeço por mais esse, embora a dificuldade de me manter de pé. 
Me sinto ingrata ao estar triste tendo a base de vida que tenho, mas o sentimento, a cabeça e o coração, me fazem me sentir um ser miserável.
Miserável e covarde. 
Me falta algo palpável.
Amar sem medo, com conforto e leveza.
Mas minhas raízes estragaram a muito, e não tenho pés para fincar meus sentimentos.
Nunca houve alguém pra segurar minha mão e falar que vai dar certo. Posso acreditar que haverá?
Não há coragem quando se tem a mente fragilizada. Às vezes ela me aparece num rompante, e vivo o que tenho que viver. E nesses altos e baixos vou me carregando pra um lugar que eu nem sei.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

o dia seguinte

  No dia seguinte nada sai como planejado, pro bem e pro mal. Nenhum exame foi feito, nada foi feito durante a manhã. Ficou na cama até a exaustão e a turbulência de sonhos desagradáveis. Toma seu banho ao som de alguma música para animar, coloca sua comida e se arruma para ir a faculdade fazer trabalho.
  Na rua ao sentir o vento frio em sua pele e cabelo, seu coração se acalma um pouco, se sente isolada, se sente vulnerável, sua pálpebra repuxa sozinha contrariando seu exterior calmo.
  Ao chegar na faculdade ela dá de cara com um professor do antigo curso que fez, ele a reconhece, ponto pra ele, eles conversam, ela "revela" que desistiu, ele se surpreende e diz que o que curso que ela escolheu era a segundo opção dele na época que prestou vestibular, pergunta se ela começou do zero, ela diz que sim, ele elogia a coragem da ex-aluna e aprova a situação, eles se despedem e ela pensa o quão surreal foi a situação pra ela. Nunca pensou que ele sequer lembraria dela, quiçá daria "apoio" a mudança. 
  Ela segue pra coordenação, a coordenadora está atrasada. Quando ela chega, resolvem tudo em menos de 5 min. E ela consegue a liberação pra fazer o trabalho na agência da universidade. Chega sozinha pois as meninas que fazem parte do seu grupo não chegaram ainda. Conversa e conhece o pessoal da agência, pergunta se pode participar e em poucos minutos ela já está dentro. Quem diria?
  Uma das meninas chega, o trabalho é em grupo, ela quer apressar as coisas pois é seu dia de folga e precisa resolver suas coisas. Contrariada, ela enrola a espera da menina que falta. Ela chega, fazendo a fotografia que precisamos e vamos embora.
  Não dá tempo de ir pra aula de dança. Mais uma frustração. Ela não consegue ver as coisas boas que aconteceram no dia e nem valorizou quem deu ouvidos a ela quando estava tentando desabafar, ela não sabe de nada. Agora ela escreve como que em um diário digital, que vai ficar perdido nesse mundo para quem sabe alguém a entende e a decifre.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

aflição noturna

 São 23h da noite, deito para minha rotina antes de dormir. Me perco entre as fotos dos que sigo e das sugestões. Volto ao Facebook. Dou uma olhada no Snap, o celular trava. "Merda de celular". Termino com todas as vidas dos joguinhos do celular. 
 São 1h manhã e nada de sono. Pego um livro pra ler. "Ai que fome, merda de jejum, odeio fazer exame".
 São 2:30h da manhã. 
 "Se eu comer agora, dá tempo de fazer o exame até às 10h, como ou não como?"
 São 3:30h. Revejo as redes sociais. Acabo com as vidas que mal acabaram de se refazer nos joguinhos. Leio mais.
 São 4h da manhã. Desligo a luz do quarto, agora vai. "Vou buscar memórias boas pra ficar feliz". Não me vem a mente e o que vem não me deixa bem, vejo que não tenho sentido importância nas coisas. "Meu Deus, o que tá acontecendo comigo?". O estômago ronca. "Que fome! Se eu comer agora, que horas eu tenho que fazer exame?". Entro no site do laboratório. 
  4:20 da madrugada. Como um fruta, dois biscoitos e alguns ml de água. 
  "Graças a Deus, comida! Devia ter comido direito mais cedo, nada disso estaria acontecendo."
  5h da manhã. Os pássaros fazem barulho, os ônibus começam a passar com mais frequência na rua.     "Vou ficar virada, dane-se."
  5:20 da manhã. As pálpebras se fecham, enfim o sono chega, o estômago parcialmente cheio e tranquilo. Me desconecto.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Desculpe o transtorno, preciso falar de mim

  Talvez seja o famigerado aniversário chegando, mas eu tenho começado a pensar em mim. Como os anos estão passando, as coisas que passaram na minha vida e como eu estou atualmente. Me julguei bastante antes de escrever e ao pensar, achando que eu poderia estar me fazendo de mártir ou tendo pena de mim mesma. Mas a real é que eu preciso sim valorizar cada obstáculos e etapa que consegui passar.
  Vamos falar de 2014, foi o ano mais próximo que ocorreu algumas grande mudanças na minha vida que abalaram minha estrutura. Nesse período aconteceram várias situações que me tiraram do conforto que eu vinha mantendo ao longo dos anos. Meu olhinhos não brilhavam mais com a carreira que eu havia escolhido, minha auto estima estava respirando com ajuda de aparelhos, terminei um relacionamento da época de colégio próximo ao meu aniversário e próximo ao Natal meus pais se separaram.
  Ah, Carolina, você não acha que está se expondo muito? Não. Isso pode acontecer todos os dias na vida de qualquer um.
  Eu não sabia o que fazer, foi um turbilhão emocional, eu não tinha mais idade pra fazer a adolescente revoltada, e tinha entendimento suficiente sobre a situação dos meus pais, e ainda assim me sentia de certa forma culpada e impotente. Sobre meu relacionamento, doeu mais que coice de mula. Tentei fazer a louca da balada e tive meus primeiros pt's da vida, tentei interpretar a desapegada espiritualista que quer só a felicidade do próximo, mas a curto prazo, nada disso resolveu.
  Houve um momento que eu me vi fazendo coisas que julgo como errada, e senti que aquela não era eu, foi aí que eu decidi parar e pedir ajuda. A princípio meus familiares não me deram crédito, porém depois de insistir tive o apoio necessário, e proucurei uma psicoterapeuta.
  Desde então eu tenho aprendido cada dia mais sobre mim, o que eu sou, o que eu sinto, o que faz parte de mim, o que é necessário pra mim, etc. E nesse tempo que passou muita coisa mudou. Eu aprendi a lidar com meus pais separadamente, a me respeitar, a me colocar diante das minhas vontades e opiniões, a perdoar, a confiar, a amar novamente, e até de uma forma nova, a mesma pessoa.
 Adoraria dizer uma frase original, mas a vida é feita de momentos sim, e a oscilação é que nos mantém sãos. Não existe perfeição, não haverá, e nem acredito que exista, mas há melhora, há crescimento e amadurecimento. E hoje eu escrevi pra dizer que eu tô orgulhosa do que alcançei até aqui.

domingo, 10 de julho de 2016

Sobre ser normal.

  Essa semana marquei de sair para conversar com minha melhor amiga, que "recentemente" ficou solteira e tá começando a levantar voo sozinha, pra saber dos causos dela e da vida.
  Papo vai, papo vem. Começamos a conversar sobre bullying e auto estima. E cara, que louco...
  Eu sempre estive acima do peso desde que nasci, sempre sofri bullying, mas nunca me importei porque nunca achei errado ser gordinha, meus pais não me mostraram que aquilo era ruim, o que importava era eu estar saudável, eu ser ativa, e ser feliz.
  As coisas começaram a ficar complicadas aos 13/14 anos, a famigerada adolescência. Mudei de colégio, os hormônios em ebulição e meu coração bombando de amores pelos "meninos populares". Porém, como sabemos, essa raça só se mistura com a raça das "meninas populares". Com populares eu quero dizer aqueles de cabelo liso ou alisado, que se vestiam com roupas de marca, que tinham coisas legais, da moda, e que eram magros.
  Quédizê... euzinha, com meus 70 kg, meu 1,50m, com as cagadas que eu fazia no cabelo e meu estilo totalmente "foda-se todo mundo" criado durante a infância, levei uma porrada de regras pré estabelecidas por um grupo social adolescente pré-pronto. Tentei fazer várias paradas idiotas pra me sentir fazendo parte, das mais leves foi mudar minha forma de vestir com roupas péssimas ( E CARAS!), mas estavam na moda e todo mundo usava. Claramente, não adiantou.
  Agora, corta pra minha amiga. A conheci nesse colégio, alguns anos depois. Ela sempre foi de lá. E desde o jardim de infância sofreu com bullying. Não vou detalhá-los aqui porque não acho nem bom reviver as situações. Essa minha amiga é loira, tem olhos verdes e samba na cara das inimigas e na minha com seu 1,67 e o corpo normal, Que dizê, serviria facilmente pra raça das populares, porém pelo seu jeito sempre foi recriminada. Já fez loucuras pra estar mais magra, e mesmo hoje estando bem mais esclarecida, ainda se cobra por isso. Dentro de casa ao mesmo tempo que a convencem de usar roupas que mostram o corpo, a recriminam se come demais, de menos, se engordou.
  Passamos por tudo isso, com sequelas, mas sobrevivemos, assim como várias meninas e meninos passaram, ainda passam e vão passar. Mas ficamos estarrecidas com a forma que somos pressionadas de todos os lados, não somente a um padrão, mas a opinião do que é melhor pra cada um sobre uma pessoa. Eu nunca fui pressionada em casa, mas levei pancada no colégio. Ela em casa e no colégio. Como se consegue ter um auto estima em uma sociedade que quer lhe impor que tenha auto estima mas se seu corpo não corresponder a um padrão você não é completamente aceito?
  Ambas já fizemos terapia, eu ainda faço. E provavelmente muito irão fazer ainda. E quem fez sabe que quem se liberta é você mesmo. Mas não quero que você precise disso pra se ver como alguém normal, e digno das coisas que deseja mas alguém te diz que não.
  Estou longe de ter uma auto estima elevada, mas hoje eu consigo me olhar no espelho e não querer mudar nada por ninguém. E se algum dia eu mudar vai ser por mim.
  Hoje, agora, vai lá, se dê um tempinho, olhe cada pedaçinho seu, tente ver seus pontos positivos. As mãos, os pés, os olhos, o cabelo, a boca, o nariz, um sorriso, a facilidade de conversar, se sabe contar piadas, ser amigo... o que for! Você é bom do jeito que é, só precisa começar a perceber.